2005. Dia Santo Na Lém Di Mulato
Estamos já perante o autor maduro, seguro e lúcido, mas dessa forma de lucidez que não dispensa o condimento de uma pitada de loucura. A previsibilidade, neste caso, não é um risco, mas a confirmação de um percurso e a garantia de uma obra, que instala em nós a estranheza expectante de não sabermos até onde vai esta delirante imagerie que Mito faz desfilar perante os nossos olhos.
Todo o homem, quando é forçado a deixar a lagoa do seu umbigo, passa a viver numa espécíe de estado dual.
O imaginário do Homem sempre se viu habitado pela poética das ilhas como luminárias de diferentes expressões de identidade. Entendida como arquipélago de vivências, a pintura de Mito sempre se fez habitar pelo idioma crioulo, ele próprio arquivo plural de cultura e memória.
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